Muita gente tem dificuldade para visitar uma escola ecupada, saber exatamente quais são os motivos dessa mobilização que já tomou conta de todo o país.

A Rede Globo e os grandes meios de comunicação se negam a cobrir de maneira aprofundada isso que está acontecendo. Sabem que se divulgar, esse país vira de cabeça pra baixo e com certeza vai surgir uma grande revolta contra os privilégios de governantes, parlamentares, juízes e dos milionários de nosso país. Sabem que podem perder o controle, sabem que podem perder o poder.

A luta das estudantes secundaristas é justa, legítima, independente. Alguns ainda acham que são orientados por partidos de esquerda, mas para nossa surpresa, não são. É um movimento de esquerda, mas que estão aprendendo a combater a conciliação, o oportunismo e o personalismo que tanto corroeu partidos e entidades que defendem e sempre defenderam essas pautas. Na verdade, nesse momento são os partidos de esquerda que estão aprendendo com essa nova experiência em nosso país.

Os adolecentes sabem pensar, observam o que acontece por aí, tomam decisões e estão aprendendo a se organizar de um jeito diferente do que estamos acostumados a ver. Com conteúdo, informação, ousadia e intransigência, estão deixando o governo de Beto Richa e de Michel Temer com muito medo.

Ontem, dia 26 de outubro, viralizou na internet o discurso de Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, estudante do colégio Senador Manoel Alencar Guimarães, que falou durante 10 minutos na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná.

Pra quem acha que adolescente não quer saber de nada, se surpreendeu com as palavras de Ana Júlia que explica de uma maneira firme e com uma habilidade surpreendente os verdadeiros motivos das ocupações nas escolas. Nos vídeos é possível ver a cara de espanto dos deputados, nas redes sociais, vemos que muita gente se enche de esperança ao ver um episódio como esse.

Ana Julia é o resultado de um enfrentamento cotidiano das políticas atrasadas e reacionárias que estão sendo aplicadas em nosso continente, Ana Júlia não é uma, são milhares de meninas que se levantam contra o machismo, contra o racismo e se colocam a frente dos mais variados enfrentamentos que estão em curso em nosso país.